Música

“Avant-pop” para maiores de 18

Reflexão sobre a apropriação cultural, em exuberante caldo avant-pop, feito das melhores linhas de baixo da “antiguidade” e sem exalar qualquer odor a naftalina:

“The music never answered the question, ‘What should I do?’ In fact, it hasn’t provided any answers thus far. It does not answer the uncomfortable question about the role of art and artists in things such as dismantling racism, combating oppression, or halting climate change. I hope this album, which I am deeply proud of and consider our best, reaches people like our music hasn’t before. And I wonder, can it do so without erasing the work of others? I wonder if it can do so without reeking of the white supremacy and privilege that it intends to investigate. This album is what it is: a vessel for a cisgender, white woman in a heteronormative relationship to explore her place in the world. A vessel for exploring, out loud, the very concrete reasons why it’s this band, and not another, whose music you’re being offered by a record label. And I cherish this vessel” (Merrill Garbus/Tune-Yards)

Livros

O filme não é tudo

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Não escreve “o melhor filme”, “o melhor realizador”, etc…, e também não nos dá “terra à vista” quando, invariavelmente, nos seus textos, nos põe a “nadar”. Este livro colige uma série de texto publicados em revistas e em sites e é escrita sobre filmes que não se alimenta só do filme mas das imagens e do cinema, o que quer dizer, da “forma-cinema”, o que passo já a explicar melhor:

A poesia resulta da decomposição do pensamento. O cinema é a exteriorização e visualização disso (sonhos, memórias do túmulo).
Assim, “poesia” é o nome que dou a certas perturbações que em mim provocam as palavras (os mortos) e de que eu sou o local de encontro, hospedeiro e o portador. Ao fim e ao cabo, procuro provocar pelas palavras ou fazer que em mim aconteçam as transformações que Carpenter ou Cronenberg produzem nos seus filmes.

(Imagens Roubadas, de Fernando Guerreiro, edição: Enfermaria 6, novembro de 2017, p.50)

Livros

206 anos de comédia

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Conta a lenda que houve um ou dois leitores a quem rebentaram os vasos sanguíneo de tanto rir e os amigos lamentaram a sua sorte quando o médico os proibiu de prosseguir a leitura. E que Fernando Pessoa lamentava já ter lido este Pickwick por não poder voltar a lê-lo pela primeira vez. É claro que é tudo mentira. Já o que Chesterton disse, há registo: “Dickens não escreveu exactamente literatura; escreveu mitologia”. Porém, o que eu desejava lembrar, neste 206º aniversário de CHARLES DICKENS, é que, de entre todos os “grandes” livros e de entre todos os “enormes” escritores, este recolhe a minha preferência para o pior parágrafo inicial de que há relato, não querendo menosprezar as restantes 934 páginas de elevada categoria.

“O primeiro raio de luz que ilumina as trevas, convertendo num brilho ofuscante a obscuridade a que parecia votada a história remota da carreira pública do imortal Pickwick, deriva da consulta do seguinte assento do Livro de Actas do Clube Pickwick, cuja exposição aos olhos do leitor é do maior agrado do editor destes documentos, enquanto testemunho da cuidada atenção, da infatigável diligência e do criterioso discernimento com que conduziu a sua investigação por entre os variadíssimos papéis que lhe foram confiados.”

(Os Cadernos de Pickwick, de Charles Dickens, tradução: Margarida Vale de Gato, ilustração: Robert Seymour, edição: Tinta da China, março de 2012, p.33)

Música

35 anos de eloquência

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Quem é que ouviu Ian McCulloch a cantar isto?

“Hey now David Bowie
Thanks for all you showed me
Like how to smoke a cigarette better than anyone
And how to wear my overcoat so cool that I could freeze the sun
The school of David Bowie
Was where I learnt to know me”?

Não tendo os 35 anos que hoje faz Porcupine, ou a sua rasgada veia eléctrica, achei interessante mostra-vos onde entendo que os Echo & the Bunnymen foram buscar tão longa eloquência.

Música

Mark E. Smith (1957 – 2018)

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(2017 )

The Guardian — How did you feel about the BBC reporting you were dead?

MARK E. SMITHObviously it was the BBC, the idiots. It was stopped in minutes by Fall fans. I was still ill around that time but was starting to feel better and somebody comes in and says, “by the way, you’re dead”.

Livros

Serralves 2018

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O ano, sob o lema “transpor fronteiras”, marcará a despedida da actual diretora. A seguir a Merz, que abriu as actividades deste ano, vamos ter Álvaro Lapa (Fevereiro), Anish Kapoor (Prémio Turner 1991), a segunda parte da mostra da Colecção Sonnabend (onde avulta uma selecção de peças de Jeff Koons, ao lado de outras de Bernd e Hilla Becher, Bruce Nauman, Candida Höfer e Gilbert & George), a primeira exposição em Portugal de Robert Mapplethorpe, em Setembro, e para o mesmo mês a revelação do universo estético do cineasta Pedro Costa.

Na área das artes performativas, as diferentes salas de Serralves vão continuar a acolher nomes referenciais da dança contemporânea, com os regressos ao Porto do performer Adam Linder (Março) e da bailarina dinamarquesa Mette Ingvartsen (Outubro).

Na música, fará a estreia nacional da compositora francesa Éliane Radique (Abril), um nome na esteira de figuras como Steve Reich ou La Monte Young; e da nova peça do compositor alemão Nicholas Bussmann, a performance Wandering Sands (Outubro).

O Jazz no Parque (Julho) também já tem nomes, entre os quais merecem referência a estreia da banda Naked Wolf, formada por músicos de diferentes nacionalidades que fazem “uma música que nunca pára quieta”, e a primeira apresentação da percussionista galega Lucía Martínez & The Fearless.

 

Livros

Chama-me pelo Teu Nome

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Chama-me pelo Teu Nome (Call Me by Your Name)
De Luca Guadagnino

Elio e Oliver trocam de nome e daí o extraordinário do título. Descobrir se é para verem o mundo pelos olhos do outro, se porque o amor do outro fez com que cada um deles já não soubesse que sentido atribuir às coisas do mundo, é a grande questão deste filme, entre os elogios exacerbados (este) e o aplauso pouco convencido. Essa e saber se a erotização de todos os gestos e olhares, aqui cheia de música de Bach e dos anos 80, é afetada e inócua ou exposta com alma e elegância.