Livros

O filme não é tudo

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Não escreve “o melhor filme”, “o melhor realizador”, etc…, e também não nos dá “terra à vista” quando, invariavelmente, nos seus textos, nos põe a “nadar”. Este livro colige uma série de texto publicados em revistas e em sites e é escrita sobre filmes que não se alimenta só do filme mas das imagens e do cinema, o que quer dizer, da “forma-cinema”, o que passo já a explicar melhor:

A poesia resulta da decomposição do pensamento. O cinema é a exteriorização e visualização disso (sonhos, memórias do túmulo).
Assim, “poesia” é o nome que dou a certas perturbações que em mim provocam as palavras (os mortos) e de que eu sou o local de encontro, hospedeiro e o portador. Ao fim e ao cabo, procuro provocar pelas palavras ou fazer que em mim aconteçam as transformações que Carpenter ou Cronenberg produzem nos seus filmes.

(Imagens Roubadas, de Fernando Guerreiro, edição: Enfermaria 6, novembro de 2017, p.50)

Livros

206 anos de comédia

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Conta a lenda que houve um ou dois leitores a quem rebentaram os vasos sanguíneo de tanto rir e os amigos lamentaram a sua sorte quando o médico os proibiu de prosseguir a leitura. E que Fernando Pessoa lamentava já ter lido este Pickwick por não poder voltar a lê-lo pela primeira vez. É claro que é tudo mentira. Já o que Chesterton disse, há registo: “Dickens não escreveu exactamente literatura; escreveu mitologia”. Porém, o que eu desejava lembrar, neste 206º aniversário de CHARLES DICKENS, é que, de entre todos os “grandes” livros e de entre todos os “enormes” escritores, este recolhe a minha preferência para o pior parágrafo inicial de que há relato, não querendo menosprezar as restantes 934 páginas de elevada categoria.

“O primeiro raio de luz que ilumina as trevas, convertendo num brilho ofuscante a obscuridade a que parecia votada a história remota da carreira pública do imortal Pickwick, deriva da consulta do seguinte assento do Livro de Actas do Clube Pickwick, cuja exposição aos olhos do leitor é do maior agrado do editor destes documentos, enquanto testemunho da cuidada atenção, da infatigável diligência e do criterioso discernimento com que conduziu a sua investigação por entre os variadíssimos papéis que lhe foram confiados.”

(Os Cadernos de Pickwick, de Charles Dickens, tradução: Margarida Vale de Gato, ilustração: Robert Seymour, edição: Tinta da China, março de 2012, p.33)

Música

35 anos de eloquência

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Quem é que ouviu Ian McCulloch a cantar isto?

“Hey now David Bowie
Thanks for all you showed me
Like how to smoke a cigarette better than anyone
And how to wear my overcoat so cool that I could freeze the sun
The school of David Bowie
Was where I learnt to know me”?

Não tendo os 35 anos que hoje faz Porcupine, ou a sua rasgada veia eléctrica, achei interessante mostra-vos onde entendo que os Echo & the Bunnymen foram buscar tão longa eloquência.

Música

Mark E. Smith (1957 – 2018)

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(2017 )

The Guardian — How did you feel about the BBC reporting you were dead?

MARK E. SMITHObviously it was the BBC, the idiots. It was stopped in minutes by Fall fans. I was still ill around that time but was starting to feel better and somebody comes in and says, “by the way, you’re dead”.

Livros

Serralves 2018

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O ano, sob o lema “transpor fronteiras”, marcará a despedida da actual diretora. A seguir a Merz, que abriu as actividades deste ano, vamos ter Álvaro Lapa (Fevereiro), Anish Kapoor (Prémio Turner 1991), a segunda parte da mostra da Colecção Sonnabend (onde avulta uma selecção de peças de Jeff Koons, ao lado de outras de Bernd e Hilla Becher, Bruce Nauman, Candida Höfer e Gilbert & George), a primeira exposição em Portugal de Robert Mapplethorpe, em Setembro, e para o mesmo mês a revelação do universo estético do cineasta Pedro Costa.

Na área das artes performativas, as diferentes salas de Serralves vão continuar a acolher nomes referenciais da dança contemporânea, com os regressos ao Porto do performer Adam Linder (Março) e da bailarina dinamarquesa Mette Ingvartsen (Outubro).

Na música, fará a estreia nacional da compositora francesa Éliane Radique (Abril), um nome na esteira de figuras como Steve Reich ou La Monte Young; e da nova peça do compositor alemão Nicholas Bussmann, a performance Wandering Sands (Outubro).

O Jazz no Parque (Julho) também já tem nomes, entre os quais merecem referência a estreia da banda Naked Wolf, formada por músicos de diferentes nacionalidades que fazem “uma música que nunca pára quieta”, e a primeira apresentação da percussionista galega Lucía Martínez & The Fearless.

 

Livros

Chama-me pelo Teu Nome

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Chama-me pelo Teu Nome (Call Me by Your Name)
De Luca Guadagnino

Elio e Oliver trocam de nome e daí o extraordinário do título. Descobrir se é para verem o mundo pelos olhos do outro, se porque o amor do outro fez com que cada um deles já não soubesse que sentido atribuir às coisas do mundo, é a grande questão deste filme, entre os elogios exacerbados (este) e o aplauso pouco convencido. Essa e saber se a erotização de todos os gestos e olhares, aqui cheia de música de Bach e dos anos 80, é afetada e inócua ou exposta com alma e elegância.

Livros

Viver com os Gregos

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É um extraordinário texto de Hélia Correia, publicado no JL, sobre Frederico Lourenço. Como se diz na introdução: “Não é de solidão que aqui se fala, é de um reforço de resiliência, de um conjunto excepcional de circunstâncias e de vontade que sustêm um projecto.” Continue reading “Viver com os Gregos”