Cinema

Este clima de censura…

Libé_15-01-2018.jpeg
“Assinei este texto [Le Monde] por uma razão que, a meu ver, é essencial: o perigo da purificação nas artes. Sade na Pléiade vai ser queimado? Leonardo da Vinci vai ser designado como um artista pedófilo e os seus quadros queimados? Vão retirar os Gauguin dos museus? Destruir os desenhos de Egon Schiele? Proibir os discos de Phil Spector? Este clima de censura deixa-me sem voz e inquieta pelo destino das nossas sociedades”.
CATHERINE DENEUVE, Tribuna / Libération,14-01-2018
Cinema

CINEMA, o melhor de 2017 — negros e cheio de cores com belíssimos esforços nacionais

603247.jpeg

A Fábrica de Nada
de Pedro Pinho

O que se segue ao acto da Ocupação? O que fazer quando não há certezas? Três surpreendentes horas de um verdadeiro processo de interrogação, longe do romântico, longe dos lugares comuns, perto da política, perto da esfera privada. No fim, apenas uma certeza: não percebemos nada do que nos acontece. Um filme político que nunca o deseja ser. Enorme surpresa do ano.

Mais há mais… Continue reading “CINEMA, o melhor de 2017 — negros e cheio de cores com belíssimos esforços nacionais”

Cinema

A criação de Deadpool

Captura de ecrã 2017-12-30, às 02.20.31.png

Em tempo de costumes e moral higiénicos, o melhor é guardarem muito bem esta imagem promocional da sequela do filme Deadpool (2016), de novo com Ryan Reynolds, agendado para o Verão de 2018. Este jogo de de simbolismo com a criação d´A criação de Adão, o mais célebre fragmento do tecto da Capela Sistina, no Vaticano, pintado por Miguel Ângelo (1508-12), não vai terminar bem. Polémica (futura) à parte, é esperar por esta espécie de mercenário, com uma boa dose de mania, nenhuma de humildade e extrema dificuldade em estar calado. Já tinha aparecido no cinema, em X-Men Origins: Wolverine (2009), mas só o ano passado teve direito a tempo de antena. E correu muito bem, logo…
Cinema

Prémios do Cinema Europeu

the-square.jpg

Depois de arrebatar a Palma de Ouro de Cannes, O Quadrado, de Ruben Östlund, foi o principal vencedor da 30ª edição dos prémios da Academia Europeia de Cinema.

FILME
O Quadrado, de Ruben Östlund (Suécia)

COMÉDIA
O Quadrado, de Ruben Östlund

REVELAÇÃO (Prémio FIPRESCI)
Lady Macbeth, de William Oldroyd (Reino Unido)

DOCUMENTÁRIO
Communion, de Anna Zamecka (Polónia)

FILME DE ANIMAÇÃO
A Paixão de Van Gogh, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman (Polónia/Reino Unido)

CURTA-METRAGEM
Timecode, de Juanjo Giménez (Espanha)

REALIZAÇÃO
Ruben Östlund, por O Quadrado

ACTRIZ
Alexandra Borbély, em Corpo e Alma, de Ildikó Enyedi (Hungria)

ACTOR
Claes Bang, em O Quadrado

FOTOGRAFIA (Prémio Carlo Di Palma)
Michail Krichman, por Loveless, de Andrey Zvyagintsev (Rússia)

MONTAGEM
Robin Campillo, por 120 Batimentos por Minuto, de Robin Campillo (França)

CENOGRAFIA
Josefin Åsberg, por O Quadrado

GUARDA-ROUPA
Katarzyna Lewińska, por Spoor, de Agnieska Holland e Kasia Adamik (Polónia)

CARACTERIZAÇÃO
Leendert van Nimwegen, por Brimstone – Castigo, de Martin Koolhoven (Holanda)

MÚSICA
Evgueni e Sacha Galperine, por Loveless

SOM
Oriol Tarragó, por Sete Minutos Depois da Meia-Noite, de J. A. Bayona (Espanha)

PRÉMIO DE CARREIRA
Aleksandr Sokurov (Rússia)

FIGURA INTERNACIONAL
Julie Delpy (França)

CO-PRODUÇÃO (Prémio Eurimages)
Cedomir Kolar (França)

PRÉMIO DO PÚBLICO/filme europeu do ano
Stefan Zweig: Adeus, Europa, de Maria Schrader (Alemanha)

Cinema

“We are not alone”

ENCONTROS_01.jpg

Assinalaram-se, hoje, os 40 anos sobre a data da primeira exibição pública, nos EUA, de Encontros Imediatos do Terceiro Grau. Aqui, o pequeno Barry (Cary Guffey), admirando as estranhas e ameaçadoras luzes à porta de sua casa, sem o medo dos adultos, convoca os extra-terrestres.

Spielberg fez pensar muito, aqui.

(Entretanto, espera-se muito por The Post, até pelo elenco: John Williams (música), Janusz Kaminski (fotografia), Meryl Streep e Tom Hanks.)

Cinema · Livros

Só para fechar o dia dos Sem Revolução…

23319205_10211066123434415_7569027400361396566_n.jpg

Já em mil novecentos e vinte e pouco os comunistas russos estavam a ver que aquilo só servia mesmo para oprimir o proletariado ignorante e para fazer filmes para exportar para Marte. Foi preciso chegar a 1979 para o Tarkovsky fazer o meu filme (talvez) favorito, “Stalker”, e explicar com a experiência da cor ao sépia e ao cinzento e com música metálica de fundo, que se a natureza não explica nada mas faz parte de tudo, se o segredo é sempre saber qual é o segredo, se a esperança e a desesperança são duas formas de espera, uma estarrecedora hidroelétrica abandonada é, de certeza, a metáfora soviética para o Gulag.

Contudo, não esqueçamos o nosso “maior” Fernando, que não precisou esperar tanto, e já em 1922 escrevia profeticamente assim:

23319531_10211062184175936_8080661778648178272_n

E V. verá o que sai da Revolução Russa… Qualquer coisa que vai atrasar dezenas de anos a realização da sociedade livre.

(Fernando Pessoa, O Banqueiro Anarquista, edição: Antígona, janeiro de 1997, p. 22)

Cinema

António de Macedo (1931 – 2017)

Cineasta e escritor fascinado pelos domínios da fantasia e do esoterismo, António de Macedo fica ligado à eclosão do Cinema Novo português. Domingo à Tarde (1966), inspirado no romance homónimo de Fernando Namora, será o seu trabalho mais emblemático que depois evoluiu para convulsões mais filosóficas. Em 2016, foi revelado no DocLisboa o documentário Nos Interstícios da Realidade, dedicado à sua obra, com realização de João Monteiro.

Cinema

Não percebemos nada do que nos acontece

6032471.jpeg

O que se segue ao acto da Ocupação? O que fazer quando não há certezas? Três surpreendentes horas de um verdadeiro processo de interrogação, longe do romântico, longe dos lugares comuns, perto da política, perto da esfera privada.

Num cruzamento de actores e não actores, em que não sabemos quais são uns e outros, ainda mais uma pergunta: o que significa trabalhar?

No fim, apenas uma certeza: não percebemos nada do que nos acontece. Um filme político que nunca o deseja ser, mas confirmem, confirmem.

A Fábrica de Nada
de Pedro Pinho, com Carla Galvão, Joaquim Bichana Martins , Dinis Gomes, Njamy Sebastião, Américo Silva, José Smith Vargas
Género: Drama, Musical
Classificação: M/14
Outros dados: POR, 2017, Cores, 177 min.