Livros

Viver com os Gregos

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É um extraordinário texto de Hélia Correia, publicado no JL, sobre Frederico Lourenço. Como se diz na introdução: “Não é de solidão que aqui se fala, é de um reforço de resiliência, de um conjunto excepcional de circunstâncias e de vontade que sustêm um projecto.” Continue reading “Viver com os Gregos”

Cinema

Este clima de censura…

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“Assinei este texto [Le Monde] por uma razão que, a meu ver, é essencial: o perigo da purificação nas artes. Sade na Pléiade vai ser queimado? Leonardo da Vinci vai ser designado como um artista pedófilo e os seus quadros queimados? Vão retirar os Gauguin dos museus? Destruir os desenhos de Egon Schiele? Proibir os discos de Phil Spector? Este clima de censura deixa-me sem voz e inquieta pelo destino das nossas sociedades”.
CATHERINE DENEUVE, Tribuna / Libération,14-01-2018
Cinema

CINEMA, o melhor de 2017 — negros e cheio de cores com belíssimos esforços nacionais

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A Fábrica de Nada
de Pedro Pinho

O que se segue ao acto da Ocupação? O que fazer quando não há certezas? Três surpreendentes horas de um verdadeiro processo de interrogação, longe do romântico, longe dos lugares comuns, perto da política, perto da esfera privada. No fim, apenas uma certeza: não percebemos nada do que nos acontece. Um filme político que nunca o deseja ser. Enorme surpresa do ano.

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Música

DISCOS, os melhores de 2017 — pouca coisa se faz actualmente com interesse que não passe pela influência do “novo” jazz

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Vi por aí, como melhor do ano, o último álbum dos LCD Soundsystem quando eles próprios já declaram o seu óbito . Vi que a maioria não se lembrou dos The Gift. Vi que passaram ao lado de uns maravilhosos (e todos “nossos”) GUME. Que não se aperceberam da existência de Scarecrow Paulo, nem que Vítor Rua está vivo. 2007 e os seus balanços foi um “baque” para mim. Indo, então, ao que interessa: muito pouca coisa se faz actualmente com interesse que não passe pela influência do “novo” jazz. É, por isso, muito feio não eleger como melhor disco do ano um pequenino até (EP): Kamasi Washington — Harmony Of Difference. A singular energia do universo jazzístico deste tipo, que eu já abracei, sim, sim, tem até uma exuberância cinematográfica sublinhada e a sublinhar em “Truth”. Procurem o vídeo-clip. Uma bela curta-metragem de 14 minutos!… Nos lugares seguintes da lista e na linha dessa influência jazzistisca espiritual, só podem vir os seguintes:

The Heliocentrics – A World Of Masks
Lord Echo – Harmonies
Ruby Rushton – Trudi’s Songbook, Volume Two
Arthur Verocai — “no canto do urubu”Binker & Moses – Journey To The Mountain Of Forever
Ahmad Jamal – Marseille
Tricky – Ununiform
Brian Eno — Reflection

Na área da pop, só destaco:
BjörkUtopia, um renascimento
Lana Del Rey— Lust For Life, sempre “amazing”.
Lorde — Melodrama, que imprevisibilidade!
St. Vicent — Masseduction, pela crueza e beleza.
E na área do rock, também são poucos:
Thurston Moore — Rock n’ Roll Consciousness, porque largou definitivamente o chá.
The Jesus and Mary Chain — Damage and Joy, porque sim, porque nunca consigo dizer que eles fazem alguma coisa má.
Mas a grande surpresa do ano foi a produção portuguesa. Poucos foram os álbuns que gostei, mas dos que gostei, até fizeram tremer o Kamasi! A ordem não é importante, mas tenho de destacar um pódio. O ex-Herói do Mar não anda a nanar em Inglaterra. Os Gume são a melhor prova da influência benigna do melhor jazz actual, aqui pontuado por um bem medido “psychedelic rap” em estilo “free groove” e em absoluto estado de graça quando entra em “spoken word”. E quanto ao Manuel Fúria e os Náufragos, prevejo que seja o esquecido do ano, pois ser conservador e católico, neste tempos, é uma enorme desvantagem — o objecto estético fica, assim, a modos que proscrito. Mas ainda me ides dizer quem é que admoesta hoje em dia uma mulher (ouçam “Cala-te e Dança”) – ainda que benignamente – e se permite manter um ar belo? Quem é que hoje em dia cruza nas canções o Minho, os Smiths e o Ruy Belo? Quem é que grafa assim um TU nos textos e vai à missa aos domingos?
Quem?
Quem?

 

Scarecrow Paulo (Paulo Pedro Gonçalves) – Shank
Gume – Pedra Papel
Manuel Fúria e os Náufragos — Viva Fúria
Orelha Negra – Orelha Negra III
Slow J – The Art Of Slowing Down
Moullinex –Hyperse
Abztrqt Sir Q – Yarnati Machine
Vítor Rua – Do Androids Dream Of Electric Guitars?
PZ – Império Automano
Beatbombers – Beatbombers
Ermo – Lo-fi Moda
The Gift – Altar
Aldina Duarte – Quando se Ama Loucamente

Música

France Gall (1947-2018)

Annie aime les sucettes
Les sucettes à l’anis
(…)
Coule dans la gorge d’Annie
Elle est au paradis

O cinismo é um desses conceitos que nos apanham o braço se lhes dermos um dedo. É de esperar que ele esteja à espreita quando o palavreado cessa. “Sucettes” deriva de “suck” e a vítima (France Gall) só o pôde descobrir a meio da digressão, lá no longíquo Japão, de onde nunca recuperou, conta a lenda. O senhor cínico pode demorar a tirar a máscara, mas sorri sempre para a sua débil adversária (coisa feia..). E, lá ao fundo, ouve-se alguém a sentenciar: “C´est la vie!”. Esta terminou hoje para a France Gall e isto não é grande obituário, eu sei.

ADENDA: Gainsbourg pode ter sido o primeiro a gozar com as “loiras”, mas há que reconhecer que até que lhe deu a oportunidade de saber que raio era as “Sucettes” que ela cantava com tanto afinco, pensando que eram chupas-chupas.

Livros

LIVROS, os melhores de 2017 — o ano dos tradutores, das mulheres, dos grandes clássicos e das pequenas editoras

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Não diria que passamos por uma profunda afasia no meio literário português, mas seria muito interessante que tivesse havido alguma “corrente de ar” forte. Contudo, e curiosamente, um dos livros pelo qual passou imenso oxigénio, A Mulher-sem-cabeça e o Homem-do-mau-olhado, de Gonçalo M. Tavares, foi completamente esquecido pelos sítios mais bem frequentados. Mas, em 2017, recuperaram-se bons clássicos. Foi, também, o ano dos tradutores e das mulheres (especialmente, na poesia) e, queixinhas à parte, não ficamos nada mal servidos de ensaios. Uma grande conclusão: desta lista de 42 livros, cronologicamente ordenados, Língua Morta, Averno e Douda Correria são as grandes vencedoras do (nosso) ano.

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Música

Lentos, deslumbrantes

Talvez para lembrar a injustiça a todos quantos não estão a contar com os The Gift entre os melhores do ano, Niv Novak, fotógrafo e artista videográfico de Melbourne, que se tem dedicado ao registo de imagens de alta definição, em câmara hiper-lenta, de performances de bailarinos de The Australian Ballet. apresenta o último teledisco da banda. A lentidão das  imagens e (também) da música são deslumbrantes.

[e uma curiosidade, aos 3 minutos, na música mais importante da vida dos The Gift]

Cinema

A criação de Deadpool

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Em tempo de costumes e moral higiénicos, o melhor é guardarem muito bem esta imagem promocional da sequela do filme Deadpool (2016), de novo com Ryan Reynolds, agendado para o Verão de 2018. Este jogo de de simbolismo com a criação d´A criação de Adão, o mais célebre fragmento do tecto da Capela Sistina, no Vaticano, pintado por Miguel Ângelo (1508-12), não vai terminar bem. Polémica (futura) à parte, é esperar por esta espécie de mercenário, com uma boa dose de mania, nenhuma de humildade e extrema dificuldade em estar calado. Já tinha aparecido no cinema, em X-Men Origins: Wolverine (2009), mas só o ano passado teve direito a tempo de antena. E correu muito bem, logo…
Revistas

Seara online

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Saúda-se o lançamento, no passado dia 14, da edição online do acervo da revista “Seara Nova” (1921-1984), que ficamos a dever ao empenho do Seminário Livre de História das Ideias. Deu A  a todas correntes da oposição democrática ao chamado “Estado Novo” (basta ver a enorme lista de colaboradores), a SN contribuiu decididamente para o combate político-doutrinário ao regime autoritário e para a edificação do novo regime democrático. A edição eletrónica constitui uma enorme contribuição para o conhecimento das ideias políticas em que as gerações anteriores ao 25 de Abril se formaram.