Música

Mark E. Smith (1957 – 2018)

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(2017 )

The Guardian — How did you feel about the BBC reporting you were dead?

MARK E. SMITHObviously it was the BBC, the idiots. It was stopped in minutes by Fall fans. I was still ill around that time but was starting to feel better and somebody comes in and says, “by the way, you’re dead”.

Livros

Serralves 2018

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O ano, sob o lema “transpor fronteiras”, marcará a despedida da actual diretora. A seguir a Merz, que abriu as actividades deste ano, vamos ter Álvaro Lapa (Fevereiro), Anish Kapoor (Prémio Turner 1991), a segunda parte da mostra da Colecção Sonnabend (onde avulta uma selecção de peças de Jeff Koons, ao lado de outras de Bernd e Hilla Becher, Bruce Nauman, Candida Höfer e Gilbert & George), a primeira exposição em Portugal de Robert Mapplethorpe, em Setembro, e para o mesmo mês a revelação do universo estético do cineasta Pedro Costa.

Na área das artes performativas, as diferentes salas de Serralves vão continuar a acolher nomes referenciais da dança contemporânea, com os regressos ao Porto do performer Adam Linder (Março) e da bailarina dinamarquesa Mette Ingvartsen (Outubro).

Na música, fará a estreia nacional da compositora francesa Éliane Radique (Abril), um nome na esteira de figuras como Steve Reich ou La Monte Young; e da nova peça do compositor alemão Nicholas Bussmann, a performance Wandering Sands (Outubro).

O Jazz no Parque (Julho) também já tem nomes, entre os quais merecem referência a estreia da banda Naked Wolf, formada por músicos de diferentes nacionalidades que fazem “uma música que nunca pára quieta”, e a primeira apresentação da percussionista galega Lucía Martínez & The Fearless.

 

Livros

Chama-me pelo Teu Nome

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Chama-me pelo Teu Nome (Call Me by Your Name)
De Luca Guadagnino

Elio e Oliver trocam de nome e daí o extraordinário do título. Descobrir se é para verem o mundo pelos olhos do outro, se porque o amor do outro fez com que cada um deles já não soubesse que sentido atribuir às coisas do mundo, é a grande questão deste filme, entre os elogios exacerbados (este) e o aplauso pouco convencido. Essa e saber se a erotização de todos os gestos e olhares, aqui cheia de música de Bach e dos anos 80, é afetada e inócua ou exposta com alma e elegância.

Livros

Viver com os Gregos

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É um extraordinário texto de Hélia Correia, publicado no JL, sobre Frederico Lourenço. Como se diz na introdução: “Não é de solidão que aqui se fala, é de um reforço de resiliência, de um conjunto excepcional de circunstâncias e de vontade que sustêm um projecto.” Continue reading “Viver com os Gregos”

Cinema

Este clima de censura…

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“Assinei este texto [Le Monde] por uma razão que, a meu ver, é essencial: o perigo da purificação nas artes. Sade na Pléiade vai ser queimado? Leonardo da Vinci vai ser designado como um artista pedófilo e os seus quadros queimados? Vão retirar os Gauguin dos museus? Destruir os desenhos de Egon Schiele? Proibir os discos de Phil Spector? Este clima de censura deixa-me sem voz e inquieta pelo destino das nossas sociedades”.
CATHERINE DENEUVE, Tribuna / Libération,14-01-2018
Cinema

CINEMA, o melhor de 2017 — negros e cheio de cores com belíssimos esforços nacionais

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A Fábrica de Nada
de Pedro Pinho

O que se segue ao acto da Ocupação? O que fazer quando não há certezas? Três surpreendentes horas de um verdadeiro processo de interrogação, longe do romântico, longe dos lugares comuns, perto da política, perto da esfera privada. No fim, apenas uma certeza: não percebemos nada do que nos acontece. Um filme político que nunca o deseja ser. Enorme surpresa do ano.

Mais há mais… Continue reading “CINEMA, o melhor de 2017 — negros e cheio de cores com belíssimos esforços nacionais”

Música

DISCOS, os melhores de 2017 — pouca coisa se faz actualmente com interesse que não passe pela influência do “novo” jazz

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Vi por aí, como melhor do ano, o último álbum dos LCD Soundsystem quando eles próprios já declaram o seu óbito . Vi que a maioria não se lembrou dos The Gift. Vi que passaram ao lado de uns maravilhosos (e todos “nossos”) GUME. Que não se aperceberam da existência de Scarecrow Paulo, nem que Vítor Rua está vivo. 2007 e os seus balanços foi um “baque” para mim. Indo, então, ao que interessa: muito pouca coisa se faz actualmente com interesse que não passe pela influência do “novo” jazz. É, por isso, muito feio não eleger como melhor disco do ano um pequenino até (EP): Kamasi Washington — Harmony Of Difference. A singular energia do universo jazzístico deste tipo, que eu já abracei, sim, sim, tem até uma exuberância cinematográfica sublinhada e a sublinhar em “Truth”. Procurem o vídeo-clip. Uma bela curta-metragem de 14 minutos!… Nos lugares seguintes da lista e na linha dessa influência jazzistisca espiritual, só podem vir os seguintes:

The Heliocentrics – A World Of Masks
Lord Echo – Harmonies
Ruby Rushton – Trudi’s Songbook, Volume Two
Arthur Verocai — “no canto do urubu”Binker & Moses – Journey To The Mountain Of Forever
Ahmad Jamal – Marseille
Tricky – Ununiform
Brian Eno — Reflection

Na área da pop, só destaco:
BjörkUtopia, um renascimento
Lana Del Rey— Lust For Life, sempre “amazing”.
Lorde — Melodrama, que imprevisibilidade!
St. Vicent — Masseduction, pela crueza e beleza.
E na área do rock, também são poucos:
Thurston Moore — Rock n’ Roll Consciousness, porque largou definitivamente o chá.
The Jesus and Mary Chain — Damage and Joy, porque sim, porque nunca consigo dizer que eles fazem alguma coisa má.
Mas a grande surpresa do ano foi a produção portuguesa. Poucos foram os álbuns que gostei, mas dos que gostei, até fizeram tremer o Kamasi! A ordem não é importante, mas tenho de destacar um pódio. O ex-Herói do Mar não anda a nanar em Inglaterra. Os Gume são a melhor prova da influência benigna do melhor jazz actual, aqui pontuado por um bem medido “psychedelic rap” em estilo “free groove” e em absoluto estado de graça quando entra em “spoken word”. E quanto ao Manuel Fúria e os Náufragos, prevejo que seja o esquecido do ano, pois ser conservador e católico, neste tempos, é uma enorme desvantagem — o objecto estético fica, assim, a modos que proscrito. Mas ainda me ides dizer quem é que admoesta hoje em dia uma mulher (ouçam “Cala-te e Dança”) – ainda que benignamente – e se permite manter um ar belo? Quem é que hoje em dia cruza nas canções o Minho, os Smiths e o Ruy Belo? Quem é que grafa assim um TU nos textos e vai à missa aos domingos?
Quem?
Quem?

 

Scarecrow Paulo (Paulo Pedro Gonçalves) – Shank
Gume – Pedra Papel
Manuel Fúria e os Náufragos — Viva Fúria
Orelha Negra – Orelha Negra III
Slow J – The Art Of Slowing Down
Moullinex –Hyperse
Abztrqt Sir Q – Yarnati Machine
Vítor Rua – Do Androids Dream Of Electric Guitars?
PZ – Império Automano
Beatbombers – Beatbombers
Ermo – Lo-fi Moda
The Gift – Altar
Aldina Duarte – Quando se Ama Loucamente

Música

France Gall (1947-2018)

Annie aime les sucettes
Les sucettes à l’anis
(…)
Coule dans la gorge d’Annie
Elle est au paradis

O cinismo é um desses conceitos que nos apanham o braço se lhes dermos um dedo. É de esperar que ele esteja à espreita quando o palavreado cessa. “Sucettes” deriva de “suck” e a vítima (France Gall) só o pôde descobrir a meio da digressão, lá no longíquo Japão, de onde nunca recuperou, conta a lenda. O senhor cínico pode demorar a tirar a máscara, mas sorri sempre para a sua débil adversária (coisa feia..). E, lá ao fundo, ouve-se alguém a sentenciar: “C´est la vie!”. Esta terminou hoje para a France Gall e isto não é grande obituário, eu sei.

ADENDA: Gainsbourg pode ter sido o primeiro a gozar com as “loiras”, mas há que reconhecer que até que lhe deu a oportunidade de saber que raio era as “Sucettes” que ela cantava com tanto afinco, pensando que eram chupas-chupas.