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“Poema como hipótese verbal para experimentar o mundo”, take 7

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Desde a “geração” dos “Poetas Sem Qualidades” nada tem surgido que nos convença como “colectivo e ideia”, mas pode estar por aqui o mais aproximado disso, pelos auto-intitulados APÓCRIFOS.

Ao quinto número da revista Apócrifa, atreveram-se a apresentar uma antologia, o que deu muito jeito, pois as edições anteriores já esgotaram. Chamemos-lhe, só pelo cheiro dos escritos, “neo-pós-romantismo-à-la-Gomes-Leal-absolutamente-sem-medo-de-gostar-de-surrealistas-e-em-busca-da-Beleza-Clássica-Perdida”, embora “neo-naturalismo” seja o que eles acham que realmente são. O que não são é apologistas de um eu contestatário que se esgota numa irreverência as mais das vezes sem consequência; disso, estão livres.

Aqui não há nenhum “regresso ao real” – o real nunca deixou de lá estar e até irrompe frequentemente – e tão pouco poupam metáforas e elogios a todos os tempos, logo, também, longe dos «poetas sem qualidades».

Não renunciam ao presente, assim como não esquecem o passado. A Apócrifa está cheia de mitos e modos clássicos, de reintepretações e de assimilações. Manuel Gusmão fala-nos numa “continuidade mais vincada do que têm sido as coordenadas do lirismo internacionalmente generalizadas desde o romantismo, não entendido aqui como período histórico literário, mas no sentido transhistórico. A continuidade das coordenadas do lirismo manifestam-se na forma de organizar as imagens, no recurso a figuras retóricas já experimentadas, na tessitura de figurações que não se esgotam nessas figuras. Encontramos aquilo que para alguns de nós é a indicação de que um poema é basicamente uma hipótese verbal inventada para nos dar a experimentar uma forma de mundo” (do seu prefácio escrito para o quinto número). E se percebermos que quem os escreve tem entre 18-25 anos, descobrimos que há jovens a ver o mundo por “boas” lentes. Hoje, apresentam o nº 7, no Porto.

Lançamento da Apócrifa – PLEC nº7 no Porto
Data: 18 de Maio, 2017. 18h30.
Local: Teatro Campo Alegre