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40 anos

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40 anos depois da morte de Clarice Lispector e o Facebook é, para ela, o mais poderoso instrumento de divulgação, um admirável produtor das mais bizarras imitações e inimaginável palco para os insanos admiradores que lhe inventam as mais extraordinárias frases. Se isto continua assim, a Meryl Streep ainda aceita o papel principal na biografia cinematográfica que já esteve mais longe.

No meio desta confusão, uma escrita construída a partir de um sentimento da falta, sempre a aprofundar o limite do suportável, por quem se elevou bem acima da sua obra — brevemente, no Brasil, vão fazê-la em “bonequinhos” turísticos, tipo os de Fernando Pessoa. Não se esqueçam: leram aqui primeiro.

Quem se atinge pela despersonalização reconhecerá o outro sob qualquer disfarce: o primeiro passo em relação ao outro é achar em si mesmo o homem de todos os homens. Toda mulher é a mulher de todas as mulheres, todo homem é o homem de todos os homens, e cada um deles poderia se apresentar onde quer que se julgue o homem. Mas apenas em imanência, porque só alguns atingem o ponto de, em nós, se reconhecerem. E então, pela simples presença da existência deles, revelarem a nossa.

(A Paixão Segundo G. H., de Clarice Lispector, edição: Relógio D’Água, abril de 2000, p. 140)

«Eu me compreendo, de modo que não sou hermética.»

«Ela (minha mãe) era muito bonita.»