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50 anos

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A história é sempre importante, mas aqui reveste-se de especial “claridade” para o assunto. António Paulouro, editor do Jornal do Fundão, enfrentava, em 1967, a proibição da sua publicação, por causa de uns escritos dados à estampa na página cultural acerca do livro Luuanda, do angolano Luandino Vieira. Para preparar o “regresso” cultural de forma a que fosse mais difícil à censura perceber o que por lá se escrevia, em conversas com José Cardoso Pires, pensaram em & etc…, Das Artes, das Letras e do Espectáculo do Jornal do Fundão, um suplemento que seria resguardado pelo osso do jornal.

Para dar corpo a esta ideia, recrutaram Vítor Silva Tavares, escritor (às vezes), programador da editora lisboeta Ulisseia e diretor do suplemento literário do Diário de Lisboa. Foi essencial para a importância do & ect… Para lateralizar a questão “cultural”, acrescentou-lhe o “magazine” ao nome, recuperando a velha ideia dos magazines: um bocadinho de cada coisa. O texto programático do primeiro número continha, por isso, esta indicação preciosa para se perceberem os conteúdos: “Não se espante o leitor se encontrar ao lado de uma análise literária um texto sobre moda masculina (ou feminina), outro sobre culinária, outro ainda sobre uma equipa de futebol. Os redatores do “& etc…” consideram que todos os assuntos e mais um são passíveis de reflexão crítica e tratamento cultural (…)”.

Oposicionista, libertária, moderna e irreverente, aberta a novas correntes, esta experiência literária e artistica foi um inesquecível marco nos anos 60. Agora, uma exposição na Biblioteca Nacional assinala os 50 anos do nº 1 do periódico liderado por Vítor Silva Tavares.