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108 anos de Eugène Ionesco

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Vocês farão o que quiserdes neste domingo. Eu cá tirei o dia para responder a todas as vossas perguntas filosóficas, religiosas e de culinária, sempre com a mesma resposta. Por exemplo, tentem as sacramentais “Acreditas em Deus?” e “Todos os homens que cozinham são super-gays?” e eu sempre vos responderei: “NUM CERTO SENTIDO”. E assim será até ao final da festa do dia, a do Eugène Ionesco

VOZ DE UM HOMEM — Falámos da vida, Senhora Porteira, é preciso ser-se        filósofo!

VOZ DA PORTEIRA — Não me fale dos filósofos. Meteu-se-me na cabeça seguir os conselhos dos estóicos e ficar-me na contemplação. Nada me ensinaram, nem mesmo Marco Aurélio. No fim de contas, não serve para nada. Não era mais esperto que o senhor ou que eu. Cada um tem que procurar a sua solução. Se a houvesse, mas não há.

VOZ DE UM SENHOR — Realmente…

(Eugène Ionesco, O MESTRE, A MENINA CASADOIRA, O NOVO INQUILINO, O ASSASSINO, trad: Luísa Neto Jorge, edição: Editorial Presença, 1963, “O Novo Inquilino”, p. 187)