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Louco ou génio visionário?

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Os Mão Morta andaram por aí a promovê-lo, não sei se muito adiantou. Hoje, ser subversivo está à distância de um “post”, ainda que o corajoso conte mais de 24 anos, o que não aconteceu com Isidore Ducasse Aka Conde de Lautréamont. Deixo à consideração dos presentes se era um “louco, uma ruína humana” ou um génio visionário do fantástico e do surrealismo. Eu não dou resposta para não viciar, mas também não ligo excessivamente aos sentidos. “A maior parte das vezes, é impostura da língua”.

Eu, como os cães, sinto a necessidade do infinito…Não posso, não posso satisfazer essa necessidade! Sou filho do homem e da mulher, ao que me dizem. Isso me espanta…acreditava ser mais! De resto, que me importa de onde venho? Se dependesse da minha vontade, teria preferido ser antes o filho da fêmea do tubarão, cuja fome é amiga das tempestades, e do tigre, cuja crueldade é reconhecida: eu não seria tão mau.

(Conde de Lautreamont, Os Cantos de Maldoror, trad: Manuel de Freitas,edição: Antígona, setembro de 2009, p. 47)