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O Sertão é o mundo

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Nos regionalismos (e em tudo, vá) sigo o Machado de Assis: “alimentem-se dos assuntos que oferece a região, mas não estabeleçam doutrinas tão absolutas que empobreçam a literatura”. É por isso que o Guimarães Rosa está hoje (e sempre) de parabéns. Aqui, só aparentemente o mundo é mineiro e o pitoresco principal. Aqui, acertou o António Cândido: “o Sertão é o mundo”.

Eu atravesso as coisas – e no meio da travessia não vejo! — só estava era entretido na idéia dos lugares de saída e de chegada. Assaz o senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais em baixo, bem diverso do que em primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?

(João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, edição fac-símile Público/A Bela e o Monstro, Edições, 2014 [1956], p. 37)