Música

DISCOS, os melhores de 2017 — pouca coisa se faz actualmente com interesse que não passe pela influência do “novo” jazz

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Vi por aí, como melhor do ano, o último álbum dos LCD Soundsystem quando eles próprios já declaram o seu óbito . Vi que a maioria não se lembrou dos The Gift. Vi que passaram ao lado de uns maravilhosos (e todos “nossos”) GUME. Que não se aperceberam da existência de Scarecrow Paulo, nem que Vítor Rua está vivo. 2007 e os seus balanços foi um “baque” para mim. Indo, então, ao que interessa: muito pouca coisa se faz actualmente com interesse que não passe pela influência do “novo” jazz. É, por isso, muito feio não eleger como melhor disco do ano um pequenino até (EP): Kamasi Washington — Harmony Of Difference. A singular energia do universo jazzístico deste tipo, que eu já abracei, sim, sim, tem até uma exuberância cinematográfica sublinhada e a sublinhar em “Truth”. Procurem o vídeo-clip. Uma bela curta-metragem de 14 minutos!… Nos lugares seguintes da lista e na linha dessa influência jazzistisca espiritual, só podem vir os seguintes:

The Heliocentrics – A World Of Masks
Lord Echo – Harmonies
Ruby Rushton – Trudi’s Songbook, Volume Two
Arthur Verocai — “no canto do urubu”Binker & Moses – Journey To The Mountain Of Forever
Ahmad Jamal – Marseille
Tricky – Ununiform
Brian Eno — Reflection

Na área da pop, só destaco:
BjörkUtopia, um renascimento
Lana Del Rey— Lust For Life, sempre “amazing”.
Lorde — Melodrama, que imprevisibilidade!
St. Vicent — Masseduction, pela crueza e beleza.
E na área do rock, também são poucos:
Thurston Moore — Rock n’ Roll Consciousness, porque largou definitivamente o chá.
The Jesus and Mary Chain — Damage and Joy, porque sim, porque nunca consigo dizer que eles fazem alguma coisa má.
Mas a grande surpresa do ano foi a produção portuguesa. Poucos foram os álbuns que gostei, mas dos que gostei, até fizeram tremer o Kamasi! A ordem não é importante, mas tenho de destacar um pódio. O ex-Herói do Mar não anda a nanar em Inglaterra. Os Gume são a melhor prova da influência benigna do melhor jazz actual, aqui pontuado por um bem medido “psychedelic rap” em estilo “free groove” e em absoluto estado de graça quando entra em “spoken word”. E quanto ao Manuel Fúria e os Náufragos, prevejo que seja o esquecido do ano, pois ser conservador e católico, neste tempos, é uma enorme desvantagem — o objecto estético fica, assim, a modos que proscrito. Mas ainda me ides dizer quem é que admoesta hoje em dia uma mulher (ouçam “Cala-te e Dança”) – ainda que benignamente – e se permite manter um ar belo? Quem é que hoje em dia cruza nas canções o Minho, os Smiths e o Ruy Belo? Quem é que grafa assim um TU nos textos e vai à missa aos domingos?
Quem?
Quem?

 

Scarecrow Paulo (Paulo Pedro Gonçalves) – Shank
Gume – Pedra Papel
Manuel Fúria e os Náufragos — Viva Fúria
Orelha Negra – Orelha Negra III
Slow J – The Art Of Slowing Down
Moullinex –Hyperse
Abztrqt Sir Q – Yarnati Machine
Vítor Rua – Do Androids Dream Of Electric Guitars?
PZ – Império Automano
Beatbombers – Beatbombers
Ermo – Lo-fi Moda
The Gift – Altar
Aldina Duarte – Quando se Ama Loucamente