Cinema · Livros

Só para fechar o dia dos Sem Revolução…

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Já em mil novecentos e vinte e pouco os comunistas russos estavam a ver que aquilo só servia mesmo para oprimir o proletariado ignorante e para fazer filmes para exportar para Marte. Foi preciso chegar a 1979 para o Tarkovsky fazer o meu filme (talvez) favorito, “Stalker”, e explicar com a experiência da cor ao sépia e ao cinzento e com música metálica de fundo, que se a natureza não explica nada mas faz parte de tudo, se o segredo é sempre saber qual é o segredo, se a esperança e a desesperança são duas formas de espera, uma estarrecedora hidroelétrica abandonada é, de certeza, a metáfora soviética para o Gulag.

Contudo, não esqueçamos o nosso “maior” Fernando, que não precisou esperar tanto, e já em 1922 escrevia profeticamente assim:

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E V. verá o que sai da Revolução Russa… Qualquer coisa que vai atrasar dezenas de anos a realização da sociedade livre.

(Fernando Pessoa, O Banqueiro Anarquista, edição: Antígona, janeiro de 1997, p. 22)