Poesia

O amor/lugar

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55 poemas curtos para voltar a falar de amor. De I a LV e um poema final, mais extenso, de três páginas, intitulado “Última Núpcia”. Mas para se voltar a esta temática há que recorrer a Opus Affettuoso que temo seja já do século passado. Dando lugar a esse amor descobrimos isto:

O amor como lugar desconhecido que habitamos:
“EU NÃO SEI SE / conheci a luz ou a sombra / quando bebi na tua pele. (…).” [XIV] “(…) de quem não sabe / se é folha ou chão boca saliva / porque tudo em nós é luz líquida / que não conhecemos saboreamos / apenas.” [VIII]

O amor como contrário de nós:
“AMO-TE PORQUE NÃO ME AMO / inteiramente. O que me falta / é infinito / (…).” [I]

O amor como possibilidade de descanso de nós:
“(…) Deixa-me levar o sabor / da pequena lâmpada / para que eu possa suportar a travessia / dos pátios que me separam / da próxima noite.” [XXXIV].

Fora do amor ficamos expostos a nós mesmos:
“(…) Armas tão frágeis / as que temos: o mel a saliva o / sêmen. (…)”. [VI]

Sem amor não temos onde ficar:
“(…) e deito-me / de novo. Desamparado. / Apenas um jogo / de lençóis bastava.” [XVI].