Música

69, is a magic number!

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Eu sei que falhei. A festa foi ontem. Sabendo que nunca poderei ser perdoado, deixo humildemente, e na esperança de um mínimo perdão, o link para uma recente entrevista do “mestre” à Loud And Quiet, a propósito do último álbum Reflection que, por aqui, tem sido uma festa de repeats. Queiram notar muita coisa, mas talvez e em particular a desnecessidade de postular a existência de deus para explicar a criação, a importância das artes no currículo escolar e o absoluto fascínio pela obra de Julia Holter deste nosso aniversariante que foi quem nos deu, recentemente, uma prenda: uns novos The Gift.

Há uma muito interessante parte da entrevista que deverão também reparar, antes de perceberem que a música “não-humana” de Brian Eno é o mais próximo que temos deste mundo que teima em emergindo. Diz ele:

“Talvez os artistas se dividam em duas categorias: agricultores e cowboys. Os agricultores tomam conta de um pedaço de terra e cultivam-na cuidadosamente, Os cowboys procuram lugares novos, excita-os a descoberta e a liberdade de estar onde poucos antes foram. Costumava supor que era mais cowboy… mas o facto de esta série de ‘ambient music’ durar já há 40 anos faz-me pensar que devo ter uma boa costela de agricultor”.

Mas nada como recordar de quem estamos, mesmo, mesmo, mesmo a falar, antes dos atrasados parabéns.

Música

Música “generativa” (com bónus)

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Em colaboração com Peter Chilvers, Brian Eno abriu este ano com Reflection, mau grado pouco se notar por aí. Trata-se de obra processada com algoritmos musicais que surgem numa sequência temporal real que concorda com o modelo pós-moderno de representação defendido por Bernard Fischer.

Eno insiste que a relação entre arte e ciência tem uma natureza simulatória e interativa, centrada na lógica, na matemática, na visualização, nas experiências concetuais e na informática. Tudo vai evoluindo numa lógica interior de indiscutível verdade: o universo é uma fonte de produção de sons e coisa vital. As peças musicais com duração fixa, ritmos intercalados e elementos misturados estão ali para perceber no ouvinte a sua participação e “navegação”.

Spencer Kelly, da BBC Click, passou uma tarde com Eno falando de arte, ciência, música e batatas para perceber que Reflection é música “generativa” que muda sempre que alguém a escuta e para descobrir como ele inventou o lendário Oblique Strategies Cards.