Escultura

Sensibilidade impregnada nos rostos e volumes

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António Manuel Soares dos Reis nasceu em Mafamude, Vila Nova de Gaia, a 14 de outubro de 1847 e foi um dos principais rostos das belas artes portuguesas. As suas obras ganharam uma aparência de vida quase incomparável, tal a sensibilidade impregnada nos rostos e volumes desenvolvidos. Mas foi em Roma, no ano de 1872, que a conceituada obra de António Soares dos Reis,  O desterrado, foi conceptualizada e erigida. Composta por mármore de carrara, um material pitoresco de regiões altas italianas, foi a resposta para uma prova que teve em Itália e teve imediata repercussão. A obra vem destacar aquilo que são as diretrizes que norteiam a criação artística do escultor: o detalhe dos membros, a sua capacidade de exprimir estados de espírito, o jogo com as tonalidades da luz e da sombra e a corrente realista efetivada. 

Foi no seu atelier, situado na cidade que o viu nascer , mas que sentia que não o compreendia, que decidiu terminar com a sua vida. Numa das paredes, deixou escrito: “Sou cristão, porém, nestas condições, a vida para mim é insuportável. Peço perdão a quem ofendi injustamente, mas não perdoo a quem me fez mal”. Tinha 42 anos e deixava um invejável repertório artístico. Cobriu toda a extensão humana no seu discurso escultórico.

Em sua memória, no Porto, no ano de 1911, o Museu Portuense foi renomeado Museu Nacional Soares dos Reis, e trinta e sete anos depois, em 1948, foi uma escola industrial no Porto que tomou os desígnios de Escola de Artes Decorativas de Soares dos Reis, ajustada para Escola Artística de Soares dos Reis após a Revolução dos Cravos.