Performance

Vito Acconci (1940-2017)

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Antes de se virar para a arquitectura, construiu uma obra radical à volta do seu corpo e do espaço. Foi um dos pais da performance e da video art. Não acreditava na ‘criação’, só na organização, reorganização e desorganização.

No final dos anos 60, explorou a sua relação com o espaço urbano. Em Following Piece (1969), segue uma pessoa escolhida ao acaso nas ruas de Manhattan, até à sua entrada num espaço privado. Só ai põe fim à perseguição. Fê-lo durante um mês numa obra que fala de um mal-estar da sociedade norte-americana. De Following Piece ficaram os registos fotográficos tirados pelos amigos de que se fazia acompanhar nessas deambulações por Nova Iorque.

Explorou o seu corpo, explorando as questões de género, mas também o exibicionismo e a pornografia. Em Seedbed (1972), masturbava-se, oculto debaixo de uma rampa, enquanto se dirigia ao visitante entre suspitos de êxtase e fantasias obscenas numa galeria vazia em que não havia nada para ver. Um provocador. Dizia que a peça estabelecia uma verdadeira relação entre espectador e artista.

Mas talvez este, que ilustra o post, seja o seu trabalho mais seminal. Where We Are Now (Who Are We Anyway?), de 1976, mostra uma mesa muito cumprida rodeada de bancos que continua para lá do parapeito de uma janela, transformando-se numa prancha-trampolim.

No final dos anos 70, abandona o espaço da galeria e a actividade de performer para abrir um atelier de arquitectura. Vito Acconci morreu hoje, aos 77 anos.